As perspectivas do smart grid no país com as primeiras cidades inteligentes
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Vanessa Melo, para o Procel Info
Brasil – Pelo Brasil, distribuidoras de energia implantam projetos piloto de smart grid e disseminam essa tecnologia global. Representantes das concessionárias falam dos investimentos e de seus projetos

Brasil – Os smart grids, chamadas redes inteligentes, são essenciais para ajudar o setor de energia a lidar melhor com a demanda, a geração e distribuição. Essas redes têm a função de melhorar a utilização dos recursos de uma rede, dando aos consumidores a opção em alterar o consumo para períodos de alta disponibilidade de energia - períodos fora de pico ou períodos renováveis de pico -, além de pressupor a capacidade da infraestrutura elétrica de se reajustar e trabalhar por si própria.

A implantação desse sistema em uma rede elétrica só beneficia os agentes que atuam nesse segmento. Por isso, o interesse em redes inteligentes tem crescido rapidamente no Brasil. A partir desse conceito, as distribuidoras de energia começaram a colocar em prática o conceito global de smart grid em pequenos projetos piloto pelo país.

A empresa EDP Brasil, baseada em uma iniciativa que surgiu em 2007, na cidade portuguesa de Évora, criou em 2011, o projeto piloto em Eficiência Energética da cidade paulista de Aparecida do Norte.

O projeto prevê a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes compactas, a substituição da iluminação pública comum pela tecnologia LED - que poderá incorporar sensores de presença para baixar o consumo de energia e aumentar a qualidade do serviço -, uma rede de abastecimento para veículos elétricos e um sistema de geração de energia fotovoltaica. Além de uma campanha de conscientização para uso racional de energia – que inclui a doação de geladeiras e chuveiros mais eficientes para as famílias de baixa renda.

O programa também prevê a substituição dos medidores analógicos por eletrônicos das residências, transformando em inteligente a rede elétrica e os pontos de medição da cidade, que são o ponto de destaque do projeto da EDP.

Até agora, melhorias no sistema de iluminação pública de Aparecida foram realizadas com a instalação de 206 luminárias LED em alguns pontos da cidade, 460 geladeiras com o Selo Procel Eletrobras foram distribuídas e instalados 1.150 medidores monofásicos. O processo de instalação dos bifásicos começará nos próximos meses e a expectativa é de que, até o final do ano, cerca de 15 mil consumidores já estejam sendo atendidos com os novos equipamentos, conta o gestor executivo de inovação da EDP no Brasil, João Brito Martins.

Os ganhos esperados pela companhia com a implantação desse projeto, que tem investimento aproximado de R$ 10 milhões, envolve o “aumento do nível de informações sobre como a energia passa na rede, visando à melhoria no monitoramento da energia. Entendendo como os clientes consomem, é possível desenvolver produtos estruturados para pequenas empresas e tarifas mais adequadas ao consumo; corte e religação remotos; oportunidade de fazer a gestão da energia pela internet ou smartphone; e também, a contabilização da energia produzida pela microgeração”, disse o executivo da EDP no Brasil.

Martins, contudo, ressalta que ainda não é possível mensurar como estão os resultados em relação ao investimento que está sendo feito. "Primeiro precisamos garantir que a tecnologia funcione, para depois medirmos quais são as condições para expandir este modelo para outras regiões", afirma.

O projeto de Aparecida do Norte é uma parceria da EDP Bandeirante, distribuidora de energia elétrica do grupo EDP, com a Secretaria de Energia de São Paulo e a prefeitura da cidade de Aparecida.

Outra concessionária que também está adotando o conceito das redes inteligentes é a Cemig, que está implantando um projeto em Sete Lagoas, cidade de Minas Gerais.

O programa "Cidades do Futuro", não foca somente na parte de medição, mas é composto por vários subprojetos. "Além da troca de medidores, estamos estudando a geração distribuída, o impacto dos veículos elétricos na rede e criando ferramentas para melhorar o relacionamento com os nossos consumidores", explica o superintendente de desenvolvimento e engenharia da distribuição da Cemig, Denys Claudio Cruz de Souza.

A partir desse mês, serão instalados 3.800 medidores. Os medidores inteligentes proporcionam benefícios para os consumidores, uma vez que possibilitam o gerenciamento do consumo de energia elétrica ao longo do dia.

De acordo com Daniel Senna, gestor do projeto Cidades do Futuro, “os novos medidores proporcionaram um controle do consumo por meio de aplicativos computacionais, assim, o consumidor poderá otimizar o uso da energia”.

Assim como Martins da EDP Brasil, o superintendente da Cemig, Denys Claudio, também diz que é bastante difícil mensurar os dados que o projeto apresenta neste primeiro momento. "Até o final de 2013, deveremos ter bastantes resultados mensurados para as análises, inclusive aferindo com mais acuidade os custos inerentes", diz.

"Hoje, usamos recursos do programa de pesquisa e desenvolvimento da Aneel e também do nosso programa de investimentos, desde que fique dentro daquilo que não comprometa a execução das despesas operacionais", explica.
“Os Smart grids nos possibilitam entender como os clientes consomem, sendo possível desenvolver produtos estruturados para pequenas empresas e tarifas mais adequadas ao consumo”, diz Martins da EDP Brasil


O investimento total do projeto da Cemig gira em torno de R$ 90 milhões. A empresa deve em breve, assim que completar a instalação dos medidores, colocar em teste a utilização da cobrança tarifária horossazonal, com a tarifa branca, que já está regulamentada pela Aneel. Porém, "isso dependerá da adesão do consumidor, já que é completamente voluntário", ressalta Claudio.

Segundo Senna, gestor do projeto Cidades do Futuro, o projeto piloto irá proporcionar informações importantes de como deverão ser a utilização do medidor inteligente e o modelo de tarifação, atualmente em discussão pela Aneel. “A Cemig está trabalhando diretamente com os consumidores que irão receber os medidores, esclarecendo e informando sobre esse novo cenário que está se configurando com as redes inteligentes”, ressalta.

Na região Norte, a Eletrobras Amazonas Energia também está de olho nas redes inteligentes e anunciou um projeto que deixará a rede elétrica da cidade de Parintins mais eficiente.

A empresa pretende, com o ‘Projeto Parintins’, trocar os medidores dos 14.500 consumidores residenciais e comerciais da ilha, hoje conectados a um sistema elétrico isolado por geração térmica, que poderão analisar a qualidade de energia e permitirá que o usuário tenha acesso ao consumo diário.

O diretor de geração, transmissão e operação da empresa, Tarcísio Rosa, explica “que Parintins foi escolhida para receber o projeto piloto por ter um sistema isolado de abastecimento, pelo consumo mensal de 25 MW e pela rede elétrica em boas condições”.

Os investimentos de aproximadamente R$ 21 milhões virão do programa de P&D da Eletrobras Distribuidora que serão aplicados na substituição de todos os medidores, na automação dos alimentadores, na medição e monitoramento de 300 transformadores de distribuição e na implantação de um sistema que melhore o uso do parque gerador de 25 MW de Parintins.

No Rio de Janeiro, a Ampla, a partir do Programa Consciência Ampla Eficiente, implantará no litoral do estado o projeto Cidade Inteligente Búzios, que tem o objetivo de transformar Búzios na primeira cidade inteligente da América Latina em distribuição e gestão da energia elétrica.

Para isso, a concessionária investirá no balneário 10 mil medidores inteligentes, veículos elétricos, sistemas controlados remotamente, geração de energia por fontes alternativas, iluminação por LED, entre outros.

“A Ampla está avançando no campo da gestão inteligente de energia. Esses dispositivos permitem a medição em tempo real e o gerenciamento remoto das relações contratuais, tornando o serviço mais eficiente e dificultando o furto de energia elétrica” destacou o presidente da empresa, Marcelo Llévenes.

Com todas as transformações que ocorreram no mundo nos últimos anos, não poderia ser diferente que o setor de energia elétrica também buscasse a inovação em tecnologia, encontrando uma nova forma de interligar geração, transmissão, distribuição e consumo de energia, trazendo benefícios para a economia, o consumidor e o meio ambiente.

Com o conceito global de smart grid se expandindo pelo Brasil, isso trará para o país uma evolução para o sistema de energia elétrica, fazendo com que esse sistema se integre às novas tecnologias. Com esse novo paradigma, as empresas oferecem a autonomia de consumo para o cliente, que exerce papel fundamental em toda a rede. Exercendo seu poder de escolha, o consumidor poderá não só controlar e utilizar de forma racional e consciente a energia recebida, mas também ajudar o planeta a preservar suas fontes de recursos visando um futuro com energia mais limpa.
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